Por que tudo de ruim que acontece no nosso país, na maioria das vezes, acaba em pizza? O povo brasileiro já não suporta mais tantos escândalos políticos e processos na Justiça em que os verdadeiros culpados nunca são punidos. Partindo destes questionamentos, o roteirista Júlio Ricardo Tarik se inspirou no nome e no mistério de uma rainha egípcia para escrever o roteiro de “Por onde anda Nefertiti…?”, durante o curso de Cinema Digital da AIC – Academia Internacional de Cinema de São Paulo.
O filme trata do tema “impunidade” mostrando vários mistérios que culminam em um mistério ainda maior. O Egito Antigo, por seus mistérios e sua arte riquíssima, tem sido fonte inspiradora de muitos artistas ao longo dos séculos, e no caso do filme, a presença de elementos de temática egípcia configura todo um conjunto que confere uma conotação de suspense e mistério. Primeiro, pelo fato da rainha Nefertiti, cujo nome significa “a perfeita surgiu” ou “a bonita surgiu”, representar um ícone de beleza feminina, sendo portanto um nome atribuído a uma mulher que tem poder sobre os homens. Sedutora e poderosa: são estas as qualidades da personagem principal. Além disso, a história da vida da própria rainha Nefertiti esteve envolvida em mistérios. De acordo com historiadores, Nefertiti, ao lado de seu marido, o faraó Akhenaton, tentou implantar o monoteísmo no Egito, através do culto ao deus-sol Aton e construindo templos dedicados a esse deus. Mas, os sacerdotes conservadores de Amon e o povo egípcio voltaram às antigas tradições com o culto a vários deuses, e muitas obras do reinado de Nefertiti e Akhenaton foram destruídas. Causa religiosa ou política ou pessoal, não se sabe ao certo o que causou a queda de Nefertiti e o desaparecimento de seu nome dos registros históricos a partir de então. Embora haja controvérsias entre os pesquisadores, sua múmia ainda não foi descoberta. Onde deve estar essa múmia? Some-se a esse perfil de personagem histórica misteriosa a própria natureza de mistério que envolve toda a cultura egípcia. Existem segredos muito bem guardados, trancados a sete chaves, até mesmo indecifráveis, que se parecem, pela dificuldade de resolução, com os segredos dos casos do mundo contemporâneo. A sala do apartamento do advogado envolvido com esquemas suspeitos é decorada com elementos de temática egípcia (quadros, estátuas etc.), porque essa é uma forma de agradar e cultuar sua amante-rainha Nefertiti. A iluminação nos ambientes internos do prédio e do apartamento é quente e aconchegante, lembrando a luz dourada do sol que entra no templo egípcio, reflete-se nas paredes e se espalha por todos os cantos, proporcionando um clima de residência real.
O roteiro é rico em figuras de linguagem, especialmente metonímias. Aliás, o título do filme procura ser uma metonímia. Nos takes que exploram mais os signos do que os significados, quisemos ampliar a dimensão de mistério do filme. A figura de um fantasma que aparece duas vezes é um exemplo disso.
Advertimos que a estória contada pelo filme é uma obra de ficção e não foi baseada em nenhum fato real. Embora tenham existido inúmeros fatos reais no Brasil e no mundo que poderiam ter sido fontes de inspiração, qualquer semelhança com fatos, nomes, lugares, coisas, datas ou pizzas… terá sido mera coincidência.
Sem patrocínio de empresas, produzido com recursos dos produtores e do elenco, “Por onde anda Nefertiti…?” é o primeiro curta-metragem dos renomados atores teatrais santistas Célia Abadia e Osvaldo Araújo, também do diretor Carlos Oliveira e do roteirista Júlio Ricardo Tarik. Para as filmagens, realizadas em 2007, contamos com equipamentos e profissionais da produtora santista Janela Digital, que atualmente produz programas para emissoras de TV da Baixada como a Record Litoral e TV Santa Cecília.
Este é um filme não só para entreter, mas principalmente para questionar: “Por onde anda Nefertiti…?”
Assista ao TRAILER: http://spectrafilmes2008.wordpress.com/trailer/
